Câncer de Ovário: sintomas silenciosos, diagnóstico e avanços no tratamento

Conheça os fatores de risco e as estratégias para combater o câncer de ovário.


O câncer de ovário é um dos tumores ginecológicos mais desafiadores, principalmente porque costuma evoluir de forma silenciosa. No Brasil, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), são estimados cerca de 7 mil novos casos por ano, representando aproximadamente 3% dos cânceres que acometem mulheres. Apesar da incidência relativamente menor em comparação a outros tumores, a taxa de mortalidade é elevada justamente pela dificuldade de diagnóstico precoce.

A importância da conscientização é reforçada globalmente por iniciativas como o Dia Mundial do Câncer de Ovário, celebrado em 8 de maio. Dados da Organização Mundial da Saúde indicam que o câncer de ovário permanece como um relevante problema de saúde pública, exigindo atenção tanto dos profissionais de saúde quanto das mulheres em relação aos sinais e fatores de risco.


O que é o câncer de ovário

O câncer de ovário é um tumor que se desenvolve nos ovários, estruturas responsáveis pela produção dos óvulos e de hormônios como estrogênio e progesterona. Existem diferentes tipos, sendo o mais comum o câncer epitelial, que se origina na camada externa do ovário.

A doença pode se desenvolver de forma discreta ao longo do tempo, sem provocar sintomas evidentes nas fases iniciais. Por isso, muitas pacientes só recebem o diagnóstico quando o tumor já está em estágio mais avançado, o que pode dificultar o tratamento.

 

Sintomas do câncer de ovário

Um dos principais desafios desse tipo de câncer é que seus sintomas são inespecíficos e facilmente confundidos com alterações comuns do dia a dia. Ainda assim, alguns sinais merecem atenção, especialmente quando persistem por semanas.

Dentre eles, estão inchaço abdominal frequente, aumento do volume abdominal,  sensação de estufamento, dor pélvica ou abdominal, dificuldade para se alimentar ou saciedade precoce, alterações no hábito intestinal ou urinário. Também pode ocorrer fadiga inexplicável e perda de peso.

O ponto-chave é a persistência: sintomas recorrentes e progressivos devem sempre ser investigados por um ginecologista.


Diagnóstico do câncer de ovário

Não existe, até o momento, um método eficaz de rastreamento populacional para o câncer de ovário. Por isso, o diagnóstico geralmente acontece a partir da investigação clínica de sintomas ou de achados em exames de rotina.

Entre os principais exames utilizados estão a ultrassonografia transvaginal, tomografia computadorizada e ressonância magnética. Marcadores tumorais, como o CA-125, também podem ser utilizados como apoio, embora não sejam específicos.

A confirmação do diagnóstico ocorre por meio de cirurgia e análise histopatológica, que permite identificar o tipo de tumor e orientar o tratamento.


Tratamento do câncer de ovário

O tratamento varia de acordo com o estágio da doença, o tipo de tumor e as condições clínicas da paciente. De forma geral, a abordagem combina cirurgia e quimioterapia.

A cirurgia tem como objetivo remover o máximo possível do tumor e pode incluir a retirada dos ovários, útero e estruturas adjacentes. Já a quimioterapia é utilizada para eliminar células cancerígenas remanescentes.

Nos últimos anos, terapias-alvo e medicamentos mais personalizados têm ganhado espaço, especialmente em casos com alterações genéticas específicas, como mutações nos genes BRCA.


Prevenção e fatores de risco

Embora não exista uma forma garantida de prevenir o câncer de ovário, alguns fatores estão associados ao aumento ou à redução do risco. Dentre os principais, estão histórico familiar de câncer de ovário ou de mama, idade avançada e mutações genéticas. Por outro lado, condições como gestação e amamentação podem estar associados a uma redução do risco.

A prevenção, na prática, está diretamente ligada ao acompanhamento médico regular, à avaliação individualizada de risco e à atenção aos sinais do corpo. Em mulheres com alto risco genético, estratégias específicas podem ser discutidas com o especialista.


Novas pesquisas e avanços

A ciência tem avançado significativamente no entendimento do câncer de ovário. Hoje, estudos procuram desenvolver métodos mais eficazes de diagnóstico precoce, como biomarcadores e exames mais sensíveis.

Além disso, a medicina de precisão tem permitido tratamentos cada vez mais personalizados, com terapias direcionadas a características específicas do tumor. Inibidores da enzima PARP, por exemplo, já são utilizados em determinados casos com bons resultados.

A imunoterapia também vem sendo investigada como uma alternativa promissora, embora ainda em desenvolvimento para esse tipo de câncer.

Apesar de ser uma doença desafiadora, o câncer de ovário, portanto, tem apresentado avanços importantes em diagnóstico e tratamento. O mais importante é não ignorar sintomas persistentes e manter o acompanhamento ginecológico em dia.

Cuidar da saúde é sempre o melhor caminho. Nesse contexto, atenção, conhecimento e avanços científicos caminham juntos.


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